Quem sou eu

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Eu sou apenas uma criança E a vida é um pesadelo Faço do meu quarto Meu mundo escuro e solitário Onde ninguém ouve minhas lamúrias Onde eu acordo só Tendo por companhia O som melancólico de meu piano Meus pensamentos macabros Vozes que imagino ouvir Pessoas que gritam meu nome ... Quando saio desse mundo Logo volto Pois percebo Que o mundo lá fora É feio e insano Se me perguntam por que vivo nesse mundo Eu digo: No meu mundo não há diferenças Apenas a escuridão predomina.

terça-feira, 8 de março de 2011

Anjo cimério

Em sua alva fronte
Em seu sorriso singular
Meus motivos pra lhe amar
E dentre esses mais um monte

Em seu modo de falar
Olhando-me com ternura
Mal tu podes suspeitar
O tamanho da amargura

Que a mim tem perturbado
Me inebria, me atiça,
Para mim já é um fado
O desejo e a cobiça

Por ti sofro dia e noite,
Por ti sofro noite e dia,
Como que por atroz açoite
Infindando minha sangria

Puro és oh! Meu amor,
Tão raro ser encontrado
Por que causas tanta dor
Feito o corte d'um machado?

Por ti sofro desse mal
Pungente e abaldeiro
Meu coração pandea tal
Qual a mazela do barbeiro

Não lembro nada que fizesse
Pra de tal mal perecer
Oh! Deus, mesmo que quisesse
Não consigo te entender

Com seu rosto imaculado,
Não há vênia que preste
Pra mim é fato consumado
Que foi tu quem a fizeste!

Mas por que a extraiu
De sua morada grandiosa?
Um anjo em terra tão vil
Deus, que idéia odiosa!

E quanto a tu, anjo cimério,
Me sorveu serenamente
Estou morto embora quente
E sem jazer num cemitério

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