Quem sou eu

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Eu sou apenas uma criança E a vida é um pesadelo Faço do meu quarto Meu mundo escuro e solitário Onde ninguém ouve minhas lamúrias Onde eu acordo só Tendo por companhia O som melancólico de meu piano Meus pensamentos macabros Vozes que imagino ouvir Pessoas que gritam meu nome ... Quando saio desse mundo Logo volto Pois percebo Que o mundo lá fora É feio e insano Se me perguntam por que vivo nesse mundo Eu digo: No meu mundo não há diferenças Apenas a escuridão predomina.

terça-feira, 8 de março de 2011

Noite íntima

Há certa lucidez na noite de insônia -
Forma luminosa deslizando nas cortinas
Uma face pálida à janela surge
E um leitoso jorro desce das vidraças.

Esqueço o medo, as trevas são lânguidas
Lascivas tal um momento de desejo
E quero banhar-me em leite farto
Clarear minha íntima obscuridade.

‘ desperto adormeço dentro os temores
na minha noite idolatro o Segredo.’

Quero banhar-me no jorro deste seio
Lúcido na escuridão sinto o pulsar
De pesadelos obscenos a torturar-me
Em gemidos de selvático gozo.

Quero banhar-me, nutrir-me todo
No visgo gotejante das trevas
Quando, do eclipse da lua, desce
O manto de escura noite.

‘ mas eu, nos pesares profundos,
devo retornar aos ermos de mim.’

Campinas desconhecidas de mim
Onde lentamente vicejam orquídeas
A sugarem ávidas outros desabrochares
Lá no abismo de meus risos.

Na cantiga que ao luar ecoa,
Além do pensamento e do silêncio,
Na embriaguez do mal que aí habita,
Com olhos fechados procuro o Sentido.

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